Cães podem ser vacinados contra a leishmaniose em Santos (SP)

30 de julho de 2019

Por:


Desde 2015, foram identificados 63 casos positivos de leishmaniose em Santos – 37 cães já morreram. O Morro São Bento concentra boa parte dos animais (23).


Compartilhe:

A Secretaria Municipal de Saúde liberou a vacinação contra a leishmaniose para qualquer cão sadio cujo dono more em Santos.

Os interessados devem entrar em contato com o setor de zoonoses (Sevicoz) até 18 de agosto, para agendamento da aplicação, pelos telefones (13) 3257-8048, 3257-8044 ou 3257-8032.

A vacina só será dada mediante comprovação, via resultado de exame, de que o cão não tem a doença.

Testes rápidos para leishmaniose são aceitos.

A abertura da oferta da imunização tornou-se possível pela disponibilidade de vacinas na rede, em virtude do não comparecimento, após convocação por escrito e por telefone, de responsáveis por animais sadios que têm proximidade com outros portadores da doença.

Esses cães já eram investigados pela Sevicoz e tinham exame negativo para leishmaniose.

Desde maio, 796 tutores foram convocados, mas somente 232 levaram o animal para tomar as três doses da vacina, necessárias para a plena proteção.

 

Leishmaniose não tem cura, mas existe tratamento. Foto: Divulgação

Como funciona

 

Para ficar completamente protegido contra a doença, o cão precisa de três doses da vacina, com intervalo de 21 dias entre cada aplicação, impreterivelmente.

Caso o esquema não seja seguido à risca, as doses devem ser reaplicadas.

Depois, basta uma dose de reforço anualmente para mantê-lo imunizado.

“A vacinação é aberta para aqueles cães que vão se imunizar a partir de agora e também para aqueles que já iniciaram o esquema em clínica particular. Trata-se de uma vacina de alta qualidade e que não traz efeitos colaterais aos cães, além de uma grande estratégia de saúde pública”, destaca Laerte Carvalho, veterinário da Sevicoz.

As vacinas contra a leishmaniose foram adquiridas pela Secretaria de Saúde com verba parlamentar no valor de R$ 197.325,00.

Ela foi destinada pelo vereador Benedito Furtado (PSB).

 

A doença

 

A leishmaniose é uma doença infecciosa transmitida pelo inseto Lutzomya longipalpis, conhecido popularmente como mosquito-palha.

Quando pica um cachorro infectado, torna-se um transmissor do parasita ao picar outros cães e até seres humanos.

Os sintomas, que costumam aparecer de dois a três anos após a infecção pelo parasita, são: pele e mucosas com feridas.

E ainda: queda de pelos da orelha e em volta do nariz; emagrecimento e crescimento exagerado da unha.

Com o avanço da doença, órgãos internos como fígado, baço e pulmão são afetados.

A leishmaniose não tem cura nos animais.

 

Ações governamentais

 

Desde 2015, foram identificados 63 casos positivos de leishmaniose em Santos – 37 já morreram.

Os casos estão distribuídos em 13 bairros, com concentração no Morro São Bento (23 casos).

Porém, não há registros de infecção em humanos no Município.

Embora existam casos positivos de leishmaniose em cães na Cidade, o mosquito-palha até hoje não foi encontrado em Santos.

Assim, desde 2015, a Secretaria de Saúde atua em parceria com a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), do governo estadual, em buscas nas matas, com armadilhas próprias para atrair e reter o inseto transmissor.

Clínicas veterinárias particulares e a Codevida notificam a Sevicoz sobre casos de leishmaniose.

A Sevicoz inicia a investigação sorológica, com coleta de sangue no animal.

Assim, o material é enviado para o laboratório Adolfo Lutz, referência para a confirmação dos casos.

Uma vez identificada a doença em algum animal, a Sevicoz faz uma busca ativa de outros cães que possam conviver no mesmo espaço do contaminado.

Além disso, dos que estão a um raio de 100 metros de diâmetro.

É colhido o sangue e enviado ao Adolfo Lutz.

 

Tratamento

Cães identificados com a doença têm acesso a tratamento na rede municipal para controle da carga parasitária, já que a leishmaniose não tem cura.

Além disso, recebem coleira com repelente de forma a prevenir que sejam picados pelo inseto, que se torna transmissor da doença a animais e pessoas.

Munícipes cujos cães apresentem sintomas de leishmaniose devem procurar atendimento veterinário.

Na rede pública, a opção é a Codevida (Av. Francisco Manoel s/nº – Jabaquara), de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 12h às 17h.

Telefones: 3203-5593 e 3203-5075.