Saiba como combater o caramujo africano

23 de julho de 2019

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Animal oferece riscos à saúde humana, e a eliminação dele requer cuidados especiais. Confira


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Um animal sem predador natural, que libera de 200 a 500 ovos de uma só vez e transmite doenças.

Esse é o caramujo africano, presente em jardins e terrenos, e que impõe um grande desafio para ser eliminado.

A remoção do animal pode ser feita por qualquer adulto, desde que esteja com luvas e calçados fechados.

O caramujo deve ser depositado em um saco plástico preto grosso.

Só na sequência deve ser aplicado sal grosso ou refinado no animal, para desidratá-lo e consequentemente, levá-lo à morte.

“É importante jogar o sal apenas depois de colocar o caramujo no saco porque, instintivamente, o animal libera de 200 a 500 ovos quando em contato com o sal. Depois, basta esperar um pouco para fechar bem o saco e quebrar as cascas do caramujo e ovos que o animal tenha liberado. As luvas usadas também devem ser descartadas”, enfatiza Gilnar Evandra Fernandes, chefe de atividades técnicas da fiscalização da Seção de Vigilância e Controle de Zoonoses de Santos (Sevicoz).

Cuidados

No entanto, após a eliminação do caramujo o trabalho não termina, pois ele pode ter depositado seus ovos na terra. Estes, eclodem a partir da combinação de calor e chuva.

Por isso, a presença de caramujos é persistente em alguns locais.

Para evitar o reaparecimento, é necessário fazer a catação manual dos ovos. Sempre utilizando luvas, deve-se revolver a terra e retirá-los – são bolinhas em tom amarelo claro, quase branco. Esses ovos devem ser colocados em um saco plástico e quebrados.

“É um processo que deve ser realizado sempre que aparecer um caramujo e até que não se encontrem mais vestígios”, explica Gilnar.

Em grandes terrenos, é mais comum os proprietários contratarem empresas de desinsetização para remover o animal a partir do uso de pesticidas usados para o controle de moluscos.

No entanto, contaminam o solo, de forma a não ser possível uma plantação em curto prazo, por exemplo.

 

Eliminar apenas o animal grande não sana o problema, devido aos ovos que libera. Foto: Divulgação

Prevenção

Os caramujos sobem e descem muros, atravessam a rua. Ou seja, se deslocam no meio urbano de forma a encontrar um lugar aterrado para sobreviver e depositar seus ovos.

Alguns ovos também podem ser depositados por pássaros, embora seja uma possibilidade mais remota.

Passar cal no muro é uma forma de prevenção ao animal, já que a cal também o desidrata.

Riscos

O caramujo africano pode transmitir duas doenças: a meningite eosinofílica e a estrongiloidíase.

O verme Angiostrongylus cantonensis, causador da meningite eosinofílica, pode se tornar parasita do caramujo africano de duas formas.

Pela penetração direta no corpo do molusco ou pela ingestão de fezes de roedores contaminadas.

A infecção em humanos ocorre quando é feita a ingestão do muco (gosma) que o caramujo libera para facilitar o seu deslizamento. Por isso, é tão importante lavar e deixar de molho as hortaliças.

A doença tem evolução benigna, mas com sintomas que podem durar de dias a meses.

Distúrbios visuais, dor de cabeça forte e persistente, febre alta, e sensação de formigamento, queimação e pressão na pele.

Além disso, nem sempre ocorre rigidez na nuca, como em outros tipos de meningites.

Já a estrongiloidíase é causada pelo verme Strongyloides stercoralis.

E pode penetrar na pele do ser humano, atingindo os pulmões, traqueia e epiglote.

Posteriormente, migrando para o sistema digestivo, tornando-se parasita do intestino.

Os sintomas mais comuns são tosse seca, dispneia ou broncoespasmo, edema pulmonar; diarreia, dor abdominal.

Além disso, pode ser acompanhada por anorexia, náusea, vômitos, dor epigástrica.

Em sua forma grave, a estrongiloidíase apresenta febre, dor abdominal, anorexia, náuseas, vômitos, diarreias manifestações pulmonares (tosse, dispneia e broncoespasmos e, raramente, hemoptise e angústia respiratória). Quando não tratada, pode levar à morte.

Denúncias

A Sevicoz não realiza a eliminação dos caramujos africanos em locais particulares e públicos.

Entretanto, orienta e intima a realização da remoção dos moluscos.

Qualquer munícipe pode solicitar a presença da Sevicoz para avaliar uma situação e orientar o responsável com relação à eliminação de caramujos africanos. Basta entrar em contato com a Ouvidoria Municipal pelo telefone 162, de segunda a sexta, das 8 às 18h, no site ou pessoalmente no Paço Municipal (Praça Visconde de Mauá s/nº – térreo).