Vacina antirrábica garante o bem-estar de animais e tutores

25 de agosto de 2019

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A raiva é uma doença infecciosa aguda, transmitida entre mamíferos. Em alguns lugares do país, no “mês do cachorro louco” não teve campanha de vacinação


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No segundo semestre do ano, agosto é popularmente chamado “mês do cachorro louco”.

Entre as diferentes explicações para a alcunha está o aumento e sincronização de cadelas no cio, devido às condições climáticas – temperaturas, ar, incidência de chuvas, por exemplo.

Dessa forma, conforme explica o patologista veterinário Guilherme Sellera, as cadelas atraem muitos machos, que disputam as fêmeas entre si.

As brigas entre os animais, apesar de ser algo da espécie, pode propagar o vírus da raiva com facilidade.

A doença

Causada pelo vírus Lyssavirus que fica alojado na glândula salivar dos cães e gatos, a raiva é transmitida principalmente por meio de mordida.

O vírus vai para a musculatura e, posteriormente, segue por terminações nervosas até atingir o cérebro.

A encefalite – inflamação do cérebro – é um dos sintomas da raiva, bem como espasmos musculares, produção excessiva de saliva, agressividade, sensibilidade à luz, confusão mental, febre alta, hidrofobia (outro nome dado à enfermidade, que causa espasmos ao entrar em contato com água), entre outros.

Além da mordida, a raiva pode também ser transmitida por arranhões ou contato com a saliva do infectado, apenas com uma lambida – em ferimentos ou mucosas, por exemplo.

Quem for mordido por qualquer animal deve lavar bem o ferimento e procurar atendimento médico imediato. Caso a vítima seja o pet, o veterinário observará os sintomas neurológicos e realizará exames.

Recentemente, a Prefeitura de Santos divulgou um novo protocolo para casos de acidentes com animais.

Prevenção

Sellera, mestre em Medicina Veterinária, enfatiza que a maneira mais eficaz de prevenir essa enfermidade fatal é a vacinação.

A vacina antirrábica pode ser administrada a partir do terceiro mês de idade do animal, e o reforço deve ser anual.

Além disso, deve ser evitado o contato com animais de rua ou não vacinados. O especialista ressalta a importância das campanhas de vacinação para a diminuição dos casos de raiva.

Sem vacinas

Anualmente em agosto são realizadas campanhas em todo território nacional para a prevenção contra a raiva animal.

Dados de 2018 do Instituto Pasteur apontam que Santos (SP) tem uma população de aproximadamente 33 mil cães e 7.945 gatos.

Segundo a Administração Municipal, no ano passado foram imunizados 27.196 cães e 8.851 gatos, sendo mais de 9.600 no mês de agosto – na rede pública e particular. Dessa forma, cumprindo a meta mínima de cobertura, que é de 80%.

Em 2019, entretanto, o procedimento não ocorreu na região e em outras partes do País.

De acordo com o Executivo, ocorreram problemas nos repasses das doses da vacina por parte do Ministério da Saúde, responsável pelo envio.

Assim, a campanha foi adiada, sem previsão para retomada. Apesar disso, clínicas particulares da Cidade possuem doses disponíveis.

O Ministério da Saúde afirma que este ano enviou 1,5 milhão de doses da antirrábica canina (destinada a cães e gatos) e 132 mil doses da humana para o estado de São Paulo.

A pasta explica que está “empenhada em solucionar este atraso junto ao laboratório fornecedor da vacina”, que identificou problemas técnicos na etapa de produção.

Apesar de não informar uma estimativa, o Ministério sustenta que as doses serão enviadas assim que a produção for normalizada.

Grande vilão

O maior transmissor da raiva é, na verdade, o morcego. O patologista esclarece que este animal é reservatório natural do vírus, independente de alimentar-se de sangue, frutas ou insetos.

Com isso, os animais de estimação podem ficar expostos ao vírus ao tentarem caçar o animal, e os humanos podem enfrentar acidentes com morcegos.

Há mais de 40 anos Santos não registra casos de raiva em cães, gatos ou pessoas. Em 2016, foi identificada a doença em um morcego morto encontrado no Gonzaga.

A Seção de Vigilância e Controle de Zoonoses de Santos (Sevicoz) enfatiza que o animal jamais deve ser manipulado.

Além disso, o órgão deve ser acionado para remoção pelos telefones 3257-8032, 3257-8044 ou 3257-8048. O atendimento é de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h.